quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Simplesmente Irresistível

 
Gosto de falar sobre filmes. Mas não gosto de pessoas que dizem que um filme é ruim, sem mesmo olhá-los até o fim, ou sem mesmo olhá-los. Na verdade poucas pessoas conseguem ter uma postura crítica em relação a quaisquer coisas. Simplesmente julgam através de seu próprio discernimento do que é bom e ruim, e refutam toda a possibilidade de que o que é ruim para determinada pessoa, pode não o ser para outra, e vice-versa.
Ontem minha cunhada capturou numa prateleira de uma locadora, um filme perdido, de 1999, muito provavelmente já tenha passado na sessão da tarde, mas ainda não havia assistido.
Dirigido por Mark Tarlov (produção de Christine, de Stephen King) e roteiro por Judith Roberts (…). Uma comédia romântica, sem qualquer pretensão de ser sucesso de bilheteria ou campeão de vendas em DVD. Daquelas bem água com açúcar, mas com uma história surreal e comovente.
Não farei uma sinopse aqui, apenas direi minhas impressões sobre alguns pontos e deixar quem quer que seja com água na boca pra assisti-lo, ou reassisti-lo. Sim, água na boca… no melhor estilo Ratatoille, muitos anos antes do nosso ratinho cozinheiro, uma jovem simples e humilde que cozinha com o coração e com o desejo de que sua comida surpreenda a quem se ama, e a quem quiser experimentá-la. Não é um filme que te prende na poltrona, com cenas que te envolvem do inicio ao fim, e sim um pouco da realidade de pessoas que se apaixonam e querem provar a si mesmo que isso não é verdade, porque tem medo de assumir seu próprio caráter diante do desconhecido.  Fazendo uma comparação medíocre com “O diabo veste Prada”, que emociona também pela historia, e pelas atuações impecáveis de Meryl Streep e Anne Hathaway, mas é tão impalpável, tão luxuoso, grandioso, sofisticado, diferente da realidade da grande maioria das pessoas de todo o mundo.
O filme a que estou me referindo, conta uma historia passível de ser vista na realidade do mais baixo calão, a da mais alta sociedade. “Me apaixonei por você naquele dia na feira” diz ele, “No dia que eu coloquei a mão sem querer em sua perna?”, diz ela. Pra se ter uma idéia, meu próprio romance começou com um “Posso falar com você?” no pé do ouvido.
E é assim que as coisas são, através da simplicidade de pequenos gestos, de palavras simples. E por algum motivo as pessoas acham isso chato, sonolento, e maçante, talvez por não terem isso em suas vidas, e esperarem que a ficção mostre apenas aquilo que elas não podem alcançar, e não aquilo que esta ao alcance de suas mãos e não querem ver.
O filme é uma grande licença poética, envolvido por diálogos incríveis, e um cheirinho bom de uma comida deliciosa, irresistível, saborosa. Quando nos apaixonamos temos aquela sensação de que estamos flutuando, em meio a uma nuvem de fumaça, sem notar ninguém por perto, e até mesmo se por a dançar sem musica, sem que ninguém perceba. E ao olhar para aquele monte de fumaça no piso do restaurante, ou os dois pombinhos batendo com a cabeça no teto sem os pés no chão, nos traz uma nostalgia fabulosa, em parceria com aquele sorrisinho discreto no canto da boca.
“Simplesmente Irresistível”. Esse é o titulo do filme estrelado por Sarah Michelle Gellar (Buffy, Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, O grito, e muitos outros).
Como disse anteriormente, um romance água com açúcar, mas que nos faz pensar em como perdemos a sensibilidade de nos perceber no amor e na felicidade. E óbvio, o casal formado com Sean Patrick Flanery (Energia Pura, Ensina-me a viver), terminam com um sincero "Eu te amo". É, isso mesmo. Como aquele que dissemos pela primeira vez pra quem se ama. Não foi emocionante esse dia pra você? Não sentiu as pernas bambas, o coração batendo forte? Certamente que sim. Então, aproveite e prepare a pipoca, com chocolate e leite condensado, porque irá lamber os dedos.

Procrastinação

Palavra nova no meu vocabulário. Mas conhecer uma palavra e não saber o que ela significa, é tão eficaz quanto mascar chiclete pra resolver uma equação de álgebra, parafraseando Pedro Bial.
Sabe o que significa? Bom, não importa… deixa pra depois, quando sobrar um tempinho, você procura no dicionário. Mas, deixo uma dica, estou procrastinando nesse exato momento, afinal, estou escrevendo um texto, enquanto deveria estar trabalhando.
Sim, é isso mesmo, palavra nova, atitude velha.
Quantas vezes na vida deixamos de fazer determinada tarefa, porque teremos tempo pra fazer depois, e enquanto isso… vou fazendo coisas mais divertidas?
Exemplo clássico, é olhar para o relógio, e ver que faltam 30 minutos até a hora de sair do trabalho, sei que levarei 15 pra terminar o que tenho pra fazer sem muita atenção, ou 30 pra executar a tarefa perfeitamente, sem nenhuma falha. Claro, que posso aproveitar os outros 15 minutos no msn, no orkut, ou olhando idiotamente para a caixa de entrada de emails à cada 2 minutos, esperando uma nova mensagem. Então, faço minha tarefa “nas coxas” e tenho alguns minutos de entretenimento.
Procrastinar é exatamente isso, fazer uma tarefa sem importância, no lugar de outra mais importante, e depois ficar com sentimento de culpa, porque deveria ter dado mais atenção ao que era realmente importante.
Ou pior, reclamar que não tem tempo pra nada.
Será que eu não tenho tempo pra fazer coisas que realmente gosto, porque tenho muitas tarefas importantes pra fazer? Ou porque fico muito tempo “enrolando” determinada tarefa, por não me dar prazer, ou porque sou obrigado a fazê-la?
Não seria muito melhor terminar antes cada tarefa, de maneira eficiente, e usar o tempo que resta para outras atividades, sem culpa, e sem cobrança do chefe?
Entenda que não tem relação com preguiça. Não fazer nada, é diferente de fazer uma tarefa inútil, embora os resultados sejam os mesmos.
Incrivelmente isso é totalmente psicológico, você sabe que precisa terminar aquele trabalho, quer fazer bem feito, porque quer ganhar um elogio do chefe, ou obter uma boa nota na faculdade, mas por outro lado, você abre automaticamente o msn quando liga o computador, e jura de pés juntos que isso não atrapalha o seu trabalho.
Ah e é claro, você para automaticamente de trabalhar quando a internet não está funcionando, ou a rede “cai”. Como se fosse extremamente essencial para o bom andamento dos serviços, o seu email estar aberto, e seus amigos verem como você esta feliz, através da frase que colocou no msn.
Certo, chega de hipocrisia!!!
Este que vos fala, procrastina sim, e exatamente por isso, expressa em palavras esses sentimentos angustiantes e vergonhosos que me inibem horários de lazer, por não ter terminado determinada tarefa à tempo.
Quem sabe agora que expressei todo esse dilema, meu comportamento melhore, e mude aos poucos. Prometo pelo menos que vou postar aqui nesse blog, apenas quando não tiver trabalho a fazer, como agora. Isso mesmo, terminei o que estava fazendo quando comecei a escrever esse texto, e o deixei pra depois. Procrastinei por uma boa causa…
E deixo como “conselho” para os meus queridos leitorinhos, que são poucos, mas incrivelmente especiais, que parem de pensar a frase preferida dos procrastinadores: “Depois eu faço!”, fechem meu blog agora, terminem o que tem a fazer, e então, leiam-no do início ao fim.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Intertextualidade


Li há pouco tempo  uma crônica do David Coimbra, onde ele transcreve um email de uma aluna de oitava série pedindo sua ajuda com um trabalho de português, na qual ela deveria identificar a presença de intertextualidade nos genêros textuais, especificamente nas crônicas. Imediatamente ele confessa que não sabe o que é intertextualidade, e faz uma crítica direta ao programa escolar da oitava série: Cultivo inclusive a desconfiança de que conhecer os meandros da intertextualidade talvez não seja exatamente útil para a imensa maioria das pessoas, mesmo aquelas que, como eu, ganham a vida escrevendo.”
Indiferente ao fato de conhecer a intertextualidade e o que isso significa, nota-se em muitos de seus textos a presença dela. Inclusive no acima citado. Além do mais, não há nenhum problema nisso. Afinal, diariamente tomamos diversas atitudes que nem ao mesmo sabemos que possui um nome. Você conhece por acaso as palavras procrastinação eresiliência? Sem medo de errar, diria que não. Mas certamente já parou alguns minutos de trabalhar ou de fazer o trabalho de aula para olhar o email, ou conversar com alguém no messenger. E certamente conhece alguém que não se abala com as dificuldades, passa por cima de todos os desafios sem nenhum arranhão ou crise de choro.
Utilizando exemplos de atitudes que foram definidas respectivamente, mostro o quanto a intertextualidade esta presente neste texto. Acabei de citar o tema de uma matéria da edição de Outubro de 2008, da Revista SuperInteressante, sobre o ato de procrastinar, e um texto que intertextualiza sobre essa matéria nesse mesmo blog, e logo abaixo sobre o assunto de um email que recebi, e que explica tudo sobre resiliência. Além disso, cito uma crônica do David, postado no blog pessoal dele, em 31 de outubro de 2008, e também na página 3 da Zero Hora do mesmo dia.
Por mais simples que seja a explicação, isso é intertextualidade.  E pra explicar melhor, poderia usar dela novamente, e citar o artigo científico que Maria Christina de Motta Maia (professora da UFRJ) escreve sobre esse assunto. Afinal, foi através dele que descobri o que era essa intertextualidade que o David não conhecia, assim como descobri através da Super e do email, o significado de procrastinação e resiliência. Com as palavras dela: Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de outros textos.”
Ou seja, quando você escreve um comentário sobre o texto do blog de um amigo, você esta escrevendo um texto repleto de intertextualidade. Também quando responde a um email, faz o resumo de um livro ou de um texto, ou responde uma carta. E exatamente como o David, você não sabia disso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A vida é um tédio...

A vida é um tédio. Ou pelo menos era... ou deveria ser, se o homem não houvesse criado uma infinidade de atividades, e adquirido uma infinidade de habilidades, que não fosse pela próprio resultado ou pela própria impressão que elas criam, não serviriam para absolutamente nada.
A arte, por exemplo, e tudo o que a engloba: música, desenho, pintura, artesanato, tecelagem, dança, literatura, teatro, cinema e TV e... todos os milhares de universos que cada um desses itens podem proporcionar. Vamos lá, mais longe: rock, clássica e funk; artístico, publicitário e mecânico; óleo, pastel e aquarela; indígena, material reciclável e sobras marinhas; tricô, bordado e crochê; ballet, street e tango; policial, não-ficção e ficção cientifica; drama, comédia e suspense; drama, comédia e suspense; drama, comédia e suspense... Certo, essa lista poderia ser maior, mas não vem ao caso.
Como sabemos, tudo isso foi inventado pelo homem. E porque??? Porque não tinham mais o que fazer!! Porque a vida era realmente um tédio!!!
Quando nossos ancestrais estavam com fome, iam caçar, colher frutas, arrancar raízes: surgiu então a necessidade de armazenar (vegetais e animais vivos), para não precisar caçar toda vez que estivessem com fome, e ter mais tempo livre para não fazer nada: surgiu a agricultura e a pecuária.
Quando tinham sede, iam até o rio, ou o lago, ou a nascente, ou simplesmente esperavam chover. Resolveram então que era necessário armazenar água, para não precisarem buscar toda vez que precisassem, claro, para que pudessem ir de um lugar que não havia nada para fazer, para buscar algo novo para não fazer.
Quando ficavam doentes, cuidavam uns dos outros:  contribuindo para o nascimento da enfermagem, ou testavam por acaso ervas que pudessem fazer com que as pessoas melhorassem, para voltar a não fazer nada: surgiu então a medicina.
Perceberam que ficar ao ar livre poderia deixá-los doentes, ou expostos aos perigos externos, o que os deixaria exaustos por ter que ficar vigiando os animais que poderiam atacar de vez em quando, e teriam cada vez menos tempo para fazer nada. Então começaram a se esconder nas cavernas, e depois passaram a criar suas próprias moradias, porque provavelmente as cavernas não permitiam que fizessem nada, já que ali também estavam vulneráveis  aos ataques e as contaminações. Surgiram então arquitetos, engenheiros, mestres de obras, pedreiros, serventes, instaladores...
Certo, certo, necessidades básicas... haveriam de serem melhoradas e aprimoradas ao longo do tempo, senão não haveria hoje 6 bilhões de pessoas no planeta.
Mas, uma vez sanadas as necessidades básicas, o que faziam nossos ancestrais? Nada? Absolutamente nada?? Óbvio que não. Começaram a criar. Pintaram as paredes das cavernas por onde passaram, fizeram instrumentos que pudessem ajudá-los a capturar, matar e comer os animais, para que pudessem ter mais tempo pra fazer nada. Certamente eles não tinham consciência de que o que estariam escrevendo nas paredes serviriam pra nos mostrar milhões de anos depois, que eles realmente não tinham nada pra fazer. Ou que aqueles instrumentos se tornariam essenciais para a vida da espécie. Claro que não!! Eles estavam apenas se divertindo, curtindo, passando o tempo, saca? Falando em tempo...
Quando sentiram a necessidade de controlar o tempo, já que  passavam tempo demais coçando e olhando pra sombra de uma árvore, entenderam que havia uma lógica ali, uma rotina, uma regularidade. Criaram os relógios, primeiro os de sol, segundo os de ponteiros, terceiro os digitais. Primeiro um espertalhão que fincou um pedaço de pau no chão e ficou por horas  observando sua sombra (ou seriam dias?), segundo, os relojoeiros, que se espalharam pelo mundo, fabricando e vendendo aquela engenhosa máquina, e terceiro outro espertalhão que criou maravilhas com um simples 0 e 1, e que acabou com a vida dos nossos amigos relojoeiros ( e a Rolex perdeu milhões).
Onde quero chegar? Há muito tempo que precisamos trabalhar pra conquistar nosso alimento, nossa água, nossa saúde, nossa casa. Trabalhamos e nas nossas horas livres, ao invés de fazermos nada, ou simplesmente descansarmos, vamos atrás de outras coisas que ocupem nosso tempo, vamos a academia, lemos um livro, ouvimos música, nos matriculamos num curso de inglês. E fazemos isso com prazer, mais do que isso, com vontade, com afinco, com dedicação. Pra que? Pra podermos um dia descansar, e ter uma vida feliz... Fazendo o que? Nada!! Não parece contraditório tudo isso?? Pra mim parece...


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

...mas pãozinho sim.

Na última postagem deixei uma imagem que revela algo inacreditável. Óbvio, mas incrível. Todos nós somos peixes coloridos dentro de um aquário, que eu gosto de chamar de vida. Mal sabemos o que tem lá fora, e por isso não nos arriscamos a sair, com medo de ficar sem ar.
Passamos a vida esperando que um ou outro peixinho colorido caia em nosso aquário e nos dê mais motivos para acreditar que existe um mundo bonito lá fora.
Imaginem como deve se sentir preso um peixinho, nadando pra lá e pra cá, sem chegar a lugar nenhum... Ele está apenas vivendo, fazendo os dias passar. Mas ele é impossibilitado de ficar parado, em um mesmo lugar, não para, não descansa, nada de lá pra cá, de cá pra lá. Quando para, é porque o fim chegou. Levamos nossas vidas nesse ritmo, de lá pra cá, de cá pra lá, sem objetivos, sem caminhos a percorrer. Sem parar um minuto. Estamos nesse imenso aquário, presos até o fim. Que outro peixinho possa sempre nos acompanhar nessa jornada.

E a referência aos títulos dos dois últimos blogs, são ao livro "O dia do Curinga", e mostra que não somos nós que conhecemos a verdade, mas algo desconhecido, misterioso, que quem sabe esta dentro de um pãozinho, ou em um livro, ou sabe se lá onde. Mas que com certeza, esta lá fora, esperando ser encontrado.