Gosto de falar sobre filmes. Mas não gosto de pessoas que dizem que um filme é ruim, sem mesmo olhá-los até o fim, ou sem mesmo olhá-los. Na verdade poucas pessoas conseguem ter uma postura crítica em relação a quaisquer coisas. Simplesmente julgam através de seu próprio discernimento do que é bom e ruim, e refutam toda a possibilidade de que o que é ruim para determinada pessoa, pode não o ser para outra, e vice-versa.
Ontem minha cunhada capturou numa prateleira de uma locadora, um filme perdido, de 1999, muito provavelmente já tenha passado na sessão da tarde, mas ainda não havia assistido.
Dirigido por Mark Tarlov (produção de Christine, de Stephen King) e roteiro por Judith Roberts (…). Uma comédia romântica, sem qualquer pretensão de ser sucesso de bilheteria ou campeão de vendas em DVD. Daquelas bem água com açúcar, mas com uma história surreal e comovente.
Não farei uma sinopse aqui, apenas direi minhas impressões sobre alguns pontos e deixar quem quer que seja com água na boca pra assisti-lo, ou reassisti-lo. Sim, água na boca… no melhor estilo Ratatoille, muitos anos antes do nosso ratinho cozinheiro, uma jovem simples e humilde que cozinha com o coração e com o desejo de que sua comida surpreenda a quem se ama, e a quem quiser experimentá-la. Não é um filme que te prende na poltrona, com cenas que te envolvem do inicio ao fim, e sim um pouco da realidade de pessoas que se apaixonam e querem provar a si mesmo que isso não é verdade, porque tem medo de assumir seu próprio caráter diante do desconhecido. Fazendo uma comparação medíocre com “O diabo veste Prada”, que emociona também pela historia, e pelas atuações impecáveis de Meryl Streep e Anne Hathaway, mas é tão impalpável, tão luxuoso, grandioso, sofisticado, diferente da realidade da grande maioria das pessoas de todo o mundo.
O filme a que estou me referindo, conta uma historia passível de ser vista na realidade do mais baixo calão, a da mais alta sociedade. “Me apaixonei por você naquele dia na feira” diz ele, “No dia que eu coloquei a mão sem querer em sua perna?”, diz ela. Pra se ter uma idéia, meu próprio romance começou com um “Posso falar com você?” no pé do ouvido.
E é assim que as coisas são, através da simplicidade de pequenos gestos, de palavras simples. E por algum motivo as pessoas acham isso chato, sonolento, e maçante, talvez por não terem isso em suas vidas, e esperarem que a ficção mostre apenas aquilo que elas não podem alcançar, e não aquilo que esta ao alcance de suas mãos e não querem ver.
O filme é uma grande licença poética, envolvido por diálogos incríveis, e um cheirinho bom de uma comida deliciosa, irresistível, saborosa. Quando nos apaixonamos temos aquela sensação de que estamos flutuando, em meio a uma nuvem de fumaça, sem notar ninguém por perto, e até mesmo se por a dançar sem musica, sem que ninguém perceba. E ao olhar para aquele monte de fumaça no piso do restaurante, ou os dois pombinhos batendo com a cabeça no teto sem os pés no chão, nos traz uma nostalgia fabulosa, em parceria com aquele sorrisinho discreto no canto da boca.
“Simplesmente Irresistível”. Esse é o titulo do filme estrelado por Sarah Michelle Gellar (Buffy, Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, O grito, e muitos outros).
Como disse anteriormente, um romance água com açúcar, mas que nos faz pensar em como perdemos a sensibilidade de nos perceber no amor e na felicidade. E óbvio, o casal formado com Sean Patrick Flanery (Energia Pura, Ensina-me a viver), terminam com um sincero "Eu te amo". É, isso mesmo. Como aquele que dissemos pela primeira vez pra quem se ama. Não foi emocionante esse dia pra você? Não sentiu as pernas bambas, o coração batendo forte? Certamente que sim. Então, aproveite e prepare a pipoca, com chocolate e leite condensado, porque irá lamber os dedos.


