sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Intertextualidade


Li há pouco tempo  uma crônica do David Coimbra, onde ele transcreve um email de uma aluna de oitava série pedindo sua ajuda com um trabalho de português, na qual ela deveria identificar a presença de intertextualidade nos genêros textuais, especificamente nas crônicas. Imediatamente ele confessa que não sabe o que é intertextualidade, e faz uma crítica direta ao programa escolar da oitava série: Cultivo inclusive a desconfiança de que conhecer os meandros da intertextualidade talvez não seja exatamente útil para a imensa maioria das pessoas, mesmo aquelas que, como eu, ganham a vida escrevendo.”
Indiferente ao fato de conhecer a intertextualidade e o que isso significa, nota-se em muitos de seus textos a presença dela. Inclusive no acima citado. Além do mais, não há nenhum problema nisso. Afinal, diariamente tomamos diversas atitudes que nem ao mesmo sabemos que possui um nome. Você conhece por acaso as palavras procrastinação eresiliência? Sem medo de errar, diria que não. Mas certamente já parou alguns minutos de trabalhar ou de fazer o trabalho de aula para olhar o email, ou conversar com alguém no messenger. E certamente conhece alguém que não se abala com as dificuldades, passa por cima de todos os desafios sem nenhum arranhão ou crise de choro.
Utilizando exemplos de atitudes que foram definidas respectivamente, mostro o quanto a intertextualidade esta presente neste texto. Acabei de citar o tema de uma matéria da edição de Outubro de 2008, da Revista SuperInteressante, sobre o ato de procrastinar, e um texto que intertextualiza sobre essa matéria nesse mesmo blog, e logo abaixo sobre o assunto de um email que recebi, e que explica tudo sobre resiliência. Além disso, cito uma crônica do David, postado no blog pessoal dele, em 31 de outubro de 2008, e também na página 3 da Zero Hora do mesmo dia.
Por mais simples que seja a explicação, isso é intertextualidade.  E pra explicar melhor, poderia usar dela novamente, e citar o artigo científico que Maria Christina de Motta Maia (professora da UFRJ) escreve sobre esse assunto. Afinal, foi através dele que descobri o que era essa intertextualidade que o David não conhecia, assim como descobri através da Super e do email, o significado de procrastinação e resiliência. Com as palavras dela: Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de outros textos.”
Ou seja, quando você escreve um comentário sobre o texto do blog de um amigo, você esta escrevendo um texto repleto de intertextualidade. Também quando responde a um email, faz o resumo de um livro ou de um texto, ou responde uma carta. E exatamente como o David, você não sabia disso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A vida é um tédio...

A vida é um tédio. Ou pelo menos era... ou deveria ser, se o homem não houvesse criado uma infinidade de atividades, e adquirido uma infinidade de habilidades, que não fosse pela próprio resultado ou pela própria impressão que elas criam, não serviriam para absolutamente nada.
A arte, por exemplo, e tudo o que a engloba: música, desenho, pintura, artesanato, tecelagem, dança, literatura, teatro, cinema e TV e... todos os milhares de universos que cada um desses itens podem proporcionar. Vamos lá, mais longe: rock, clássica e funk; artístico, publicitário e mecânico; óleo, pastel e aquarela; indígena, material reciclável e sobras marinhas; tricô, bordado e crochê; ballet, street e tango; policial, não-ficção e ficção cientifica; drama, comédia e suspense; drama, comédia e suspense; drama, comédia e suspense... Certo, essa lista poderia ser maior, mas não vem ao caso.
Como sabemos, tudo isso foi inventado pelo homem. E porque??? Porque não tinham mais o que fazer!! Porque a vida era realmente um tédio!!!
Quando nossos ancestrais estavam com fome, iam caçar, colher frutas, arrancar raízes: surgiu então a necessidade de armazenar (vegetais e animais vivos), para não precisar caçar toda vez que estivessem com fome, e ter mais tempo livre para não fazer nada: surgiu a agricultura e a pecuária.
Quando tinham sede, iam até o rio, ou o lago, ou a nascente, ou simplesmente esperavam chover. Resolveram então que era necessário armazenar água, para não precisarem buscar toda vez que precisassem, claro, para que pudessem ir de um lugar que não havia nada para fazer, para buscar algo novo para não fazer.
Quando ficavam doentes, cuidavam uns dos outros:  contribuindo para o nascimento da enfermagem, ou testavam por acaso ervas que pudessem fazer com que as pessoas melhorassem, para voltar a não fazer nada: surgiu então a medicina.
Perceberam que ficar ao ar livre poderia deixá-los doentes, ou expostos aos perigos externos, o que os deixaria exaustos por ter que ficar vigiando os animais que poderiam atacar de vez em quando, e teriam cada vez menos tempo para fazer nada. Então começaram a se esconder nas cavernas, e depois passaram a criar suas próprias moradias, porque provavelmente as cavernas não permitiam que fizessem nada, já que ali também estavam vulneráveis  aos ataques e as contaminações. Surgiram então arquitetos, engenheiros, mestres de obras, pedreiros, serventes, instaladores...
Certo, certo, necessidades básicas... haveriam de serem melhoradas e aprimoradas ao longo do tempo, senão não haveria hoje 6 bilhões de pessoas no planeta.
Mas, uma vez sanadas as necessidades básicas, o que faziam nossos ancestrais? Nada? Absolutamente nada?? Óbvio que não. Começaram a criar. Pintaram as paredes das cavernas por onde passaram, fizeram instrumentos que pudessem ajudá-los a capturar, matar e comer os animais, para que pudessem ter mais tempo pra fazer nada. Certamente eles não tinham consciência de que o que estariam escrevendo nas paredes serviriam pra nos mostrar milhões de anos depois, que eles realmente não tinham nada pra fazer. Ou que aqueles instrumentos se tornariam essenciais para a vida da espécie. Claro que não!! Eles estavam apenas se divertindo, curtindo, passando o tempo, saca? Falando em tempo...
Quando sentiram a necessidade de controlar o tempo, já que  passavam tempo demais coçando e olhando pra sombra de uma árvore, entenderam que havia uma lógica ali, uma rotina, uma regularidade. Criaram os relógios, primeiro os de sol, segundo os de ponteiros, terceiro os digitais. Primeiro um espertalhão que fincou um pedaço de pau no chão e ficou por horas  observando sua sombra (ou seriam dias?), segundo, os relojoeiros, que se espalharam pelo mundo, fabricando e vendendo aquela engenhosa máquina, e terceiro outro espertalhão que criou maravilhas com um simples 0 e 1, e que acabou com a vida dos nossos amigos relojoeiros ( e a Rolex perdeu milhões).
Onde quero chegar? Há muito tempo que precisamos trabalhar pra conquistar nosso alimento, nossa água, nossa saúde, nossa casa. Trabalhamos e nas nossas horas livres, ao invés de fazermos nada, ou simplesmente descansarmos, vamos atrás de outras coisas que ocupem nosso tempo, vamos a academia, lemos um livro, ouvimos música, nos matriculamos num curso de inglês. E fazemos isso com prazer, mais do que isso, com vontade, com afinco, com dedicação. Pra que? Pra podermos um dia descansar, e ter uma vida feliz... Fazendo o que? Nada!! Não parece contraditório tudo isso?? Pra mim parece...