Li há pouco tempo uma crônica do David Coimbra, onde ele transcreve um email de uma aluna de oitava série pedindo sua ajuda com um trabalho de português, na qual ela deveria identificar a presença de intertextualidade nos genêros textuais, especificamente nas crônicas. Imediatamente ele confessa que não sabe o que é intertextualidade, e faz uma crítica direta ao programa escolar da oitava série: “Cultivo inclusive a desconfiança de que conhecer os meandros da intertextualidade talvez não seja exatamente útil para a imensa maioria das pessoas, mesmo aquelas que, como eu, ganham a vida escrevendo.”
Indiferente ao fato de conhecer a intertextualidade e o que isso significa, nota-se em muitos de seus textos a presença dela. Inclusive no acima citado. Além do mais, não há nenhum problema nisso. Afinal, diariamente tomamos diversas atitudes que nem ao mesmo sabemos que possui um nome. Você conhece por acaso as palavras procrastinação eresiliência? Sem medo de errar, diria que não. Mas certamente já parou alguns minutos de trabalhar ou de fazer o trabalho de aula para olhar o email, ou conversar com alguém no messenger. E certamente conhece alguém que não se abala com as dificuldades, passa por cima de todos os desafios sem nenhum arranhão ou crise de choro.
Utilizando exemplos de atitudes que foram definidas respectivamente, mostro o quanto a intertextualidade esta presente neste texto. Acabei de citar o tema de uma matéria da edição de Outubro de 2008, da Revista SuperInteressante, sobre o ato de procrastinar, e um texto que intertextualiza sobre essa matéria nesse mesmo blog, e logo abaixo sobre o assunto de um email que recebi, e que explica tudo sobre resiliência. Além disso, cito uma crônica do David, postado no blog pessoal dele, em 31 de outubro de 2008, e também na página 3 da Zero Hora do mesmo dia.
Por mais simples que seja a explicação, isso é intertextualidade. E pra explicar melhor, poderia usar dela novamente, e citar o artigo científico que Maria Christina de Motta Maia (professora da UFRJ) escreve sobre esse assunto. Afinal, foi através dele que descobri o que era essa intertextualidade que o David não conhecia, assim como descobri através da Super e do email, o significado de procrastinação e resiliência. Com as palavras dela: “Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de outros textos.”
Ou seja, quando você escreve um comentário sobre o texto do blog de um amigo, você esta escrevendo um texto repleto de intertextualidade. Também quando responde a um email, faz o resumo de um livro ou de um texto, ou responde uma carta. E exatamente como o David, você não sabia disso.